domingo, 18 de dezembro de 2011

Futuro

As apresentações do espetáculo Katana foram maravilhosas, tivemos um ótimo retorno e plateias cheias nos 3 dias. O trabalho continua, estaremos no festival de Curitiba e pretendemos atravessar o Brasil com nossas histórias.





"Foi deliciosamente gratificante poder tê-la contemplado"







"Muitas coisas experienciadas. Muitas afetações vividas!!"




                                     
                                                                                             



"Foi linda, me emocionei novamente! Muitas afetações mesmo! Que delícia ver 

vocês em cena, se divertindo, compartilhando conosco!"









"O Iansã menina, é do cabelo loiro. Sua espada é de prata, sua coroa é de ouro.

Saravá Iansã!"


Agradecemos ao público maravilhoso pelo carinho.








 Fotos: Guto Rodrigues

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A Estréia

A estréia foi bem legal cheia de energia, uma platéia linda!

Muita emoção, começamos a compartilhar o nosso Katana, hoje e amanhã tem mais.

(foto - Chico Nogueira)





 KATANA

6,7 e 8 de dezembro ás 20h00

TELAB - Teatro Laboratório da FAP
Rua dos Funcionário, 1756 - Cabral

Entrada Franca
 (fotos - Chico Nogueira)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

TRAVESSIA, PERGUNTAS E UM POEMA



Esses Caminhos, essas travessias... O que é a vida? O que é a morte? O que é o instante presente? Essas perguntas são importantes? Há uma resposta? Serão várias as respostas, ou não haverá resposta alguma?

Esse questionamento não é meu somente, nem seu, não é de hoje e não vai se findar amanhã... Talvez a importancia não esteja nas respostas, mas nas perguntas e o que elas modificam na gente, na nossa percepção e na forma como vivemos os nossos dias.

A vida pode não ser feita de perguntas e respostas, mas é importante olhar de vez em quando para os lados e para dentro... nem que a pergunta não seja formulada.

Como escreveu Guimarães Rosa, em vários momentos do livro Grande Sertão : Veredas: "Viver é muito perigoso". Ele ainda coloca em outro trecho: "Cada dia é um dia. O real da vida não está na saída e nem na chegada, ele se dispõe para a gente no meio da travessia."

ÍTACA - Konstantinos Kaváfis

(tradução José Paulo Paes)

Se partires um dia rumo a Ítaca,
faz votos de que o caminho seja longo,
repleto de aventuras, repleto de saber.
Nem Lestrigões nem os Ciclopes
nem o colérico Posídon te intimidem;
eles no teu caminho jamais encontrarás
se altivo for teu pensamento, se sutil
emoção teu corpo e teu espírito tocar.
Nem Lestrigões nem os Ciclopes
nem o bravio Posídon hás de ver,
se tu mesmo não os levares dentro da alma,
se tua alma não os puser diante de ti.

Faz votos de que o caminho seja longo.
Numerosas serão as manhãs de verão
nas quais, com que prazer, com que alegria,
tu hás de entrar pela primeira vez um porto
para correr as lojas dos fenícios
e belas mercancias adquirir:
madrepérolas, corais, âmbares, ébanos,
e perfumes sensuais de toda espécie,
quando houver de aromas deleitosos.
A muitas cidades do Egito peregrina
para aprender, para aprender dos doutos.

Tem todo o tempo Ítaca na mente.
Estás predestinado a ali chegar.
Mas não apresses a viagem nunca.
Melhor muitos anos levares de jornada
e fundeares na ilha velho enfim,
rico de quanto ganhaste no caminho,
sem esperar riquezas que Ítaca te desse.
Uma bela viagem deu-te Ítaca.
Sem ela não te ponhas a caminho.
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.

Ítaca não te iludiu, se a achas pobre.
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência,
e agora sabes o que significam Ítacas.

ESTRÉIA

Amanhã 06/12 ás 20h00 é a nossa estréia

"Ao fim do processo nos últimos ensaios antes da estréia os objetivos estão sendo alcançados e as perguntas respondidas, tudo vai se clareando, a memória está viva no corpo e nas palavras, interpretação e marcações estão limpas e o desafio que estar por vir é a pulsação da platéia ao iniciar o espetáculo, que ela some a esse trabalho, que a memória não permaneça apenas nos quatro corpos em cena que ela possa alcançar a pessoa da última fileira, não apenas com as palavras, mas principalmente com o corpo."

             Arte: Varlei Janei


                              KATANA

               6,7 e 8 de dezembro ás 20h00


                              TELAB - Teatro Laboratório da FAP

               Rua dos Funcionário, 1756 - Cabral

                                             Entrada Franca



Direção:       Diana Sitonio


Orientação : Márcio Mattana

Elenco:        Kaliupe Sachet

                   Larissa Matos
                 
                   Maruca Franco

                   Natália Drulla 

Iluminação:  Amanda Amaral

Sinopse:

A peça é sobre o Katana particular e o Katana de todos. A linha que conduz o espetáculo é traçada a partir de histórias pessoais transformadas em dramaturgia, falando sobre a busca pela espiritualidade, os quintais da alma e a travessia do ser humano, que constantemente atravessa e é atravessado. O Katana é físico e espiritual. O Katana é sobre a experiência humana.

Ensaio de 01/12

Cinco dias antes da estréia, começamos com um café para acertarmos os últimos detalhes, figurinos prontos, ansiedade? Imagina...


Kaliupe Sachet, Larissa Matos, Natália Drulla, Diana Sitonio e Maruca Franco









Café na casa da Larissa Matos                                                   


Prova dos figurinos






 Nátalia  Drulla  e Maruca Franco
em cena











Tudo sob controle e bora ensaiar


Fotos tiradas por : Amanda Amaral

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A Narrativa

"Narrativa é a performatização do ator com o seu texto."
José Luis de Abreu

Durante todo o processo esse foi o nosso maior desafio, a narrativa do ator, o contar histórias. A limpeza e a naturalidade eram cobradas constantemente durante os ensaios, questionamentos surgiram: pra quem contar? O porque contar? As questões foram respondidas individualmente, cada atriz interiorizou as imagens criadas e o trabalho foi intenso junto com a diretora. 







Foto:  Diretora: Diana Sitonio
             Atriz: Natália Drulla

segunda-feira, 28 de novembro de 2011


GRANDE SERTÃO : VEREDAS

João Guimarães Rosa

Como é que se conta uma vida: uma vida vivida, a vivência diária, o que se espera da vida? Como não se deixar comover e envolver por aquilo que poderia ter sido, com o floreio que o tempo coloca nos fatos, nas faltas maquiadas em detalhes esquecidos ou sem importância?


........TRECHOS .......

"Falo por palavras tortas. Conto minha vida, que não entendi. O senhor é homem muito ladino, de instruída sensatez. Mas não se avexe, não queira chuva em mês de agosto. Já conto, já venho – falar no assunto que o senhor está de mim esperando. E escute."

(...)

"O senhor escute meu coração, pegue no meu pulso. O senhor avista meus cabelos brancos... Viver – não é? – é muito perigoso. Porque ainda não se sabe. Porque aprender-a-viver é que é o viver, mesmo. O sertão me produz, depois me enguliu, depois me cuspiu do quente da boca... O senhor crê minha narração?"

(...)

"Como vou contar, e o senhor sentir em meu estado? O senhor sobrenasceu lá? O senhor mordeu aquilo? O senhor conheceu Diadorim, meu senhor?!... Ah, o senhor pensa que a morte é choro e sofisma – terra funda e ossos quietos... O senhor havia de conceber alguém aurorear de todo amor e morrer como só para um. O senhor devia de ver homens a mão-tente se matando a crer, com balas raivas! Ou a arte de um : ta-tá, tiro – e o outro vir na fumaça, de à-faca, de repelo: quando o que já defunto era quem mais matava... O senhor... Me dê um silêncio. Eu vou contar."



Obrigada!!



quinta-feira, 24 de novembro de 2011

MUSICALIDADE


O trabalho sonoro é uma das bases da nossa pesquisa - respiração, sons, melodias, ritmos e apropriação de músicas - para a construção das cenas, dos estados e dos impulsos. Músicas que nos inspiram, sons que nos levam a outros lugares, silêncios repletos de perguntas e algumas respostas... Como o vento que move os galhos das árvores, assim os sons movem o nosso espírito...


Longe

(Arnaldo Antunes / Marcelo Jeneci - Voz Laura Lavieri)


"Onde que eu fui parar, aonde é esse aqui?
Não dá mais pra voltar, porque eu fiquei tão longe, longe...
Onde é esse lugar?
Aonde está você?
(...)
E entre quatro paredes, sem porta ou janela pro tempo passar
Dizem que a vida é assim
Cinco sentidos em mim
Dentro de um corpo fechado num vácuo de um quarto, espaço sem fim
Aonde está você?
Por que que você foi?
Não quero te esquecer
Mas já fiquei tão longe, longe...
Não dá mais pra voltar e eu nem me despedi
Aonde é que eu vim parar?
Por que eu fiquei tão longe, longe, longe...

Longe, longe, longe..."



domingo, 20 de novembro de 2011



GRANDE SERTÃO : VEREDAS
JOÃO GUIMARÃES ROSA

Fazendo ponte com o conto do Mártir, estamos usando o romance Grande Sertão: Veredas do autor brasileiro Guimarães Rosa. Quem conta a história é Riobaldo, primeira pessoa, numa narrativa não linear em um discurso a um interlocutor que nunca aparece, nunca mostra a sua voz.

Além dos temas tratados no livro fazerem paralelo com o que estamos pesquisando na peça, ele é, como disse a nossa diretora, o mártir ao contrário: há a questão de pseudônimos, de amores impossíveis, mas mais do que irmãos de fé, Riobaldo e Diadorim são amigos de armas: “De que jeito eu podia amar um homem, meu de natureza igual, macho em suas roupas e suas armas, espalhado rústico em suas ações?! Me franzi. Ele tinha a culpa? Eu tinha a culpa. (...) O sertão não tem janelas nem portas.”

Além disso, O Grande Sertão: Veredas é um livro que fala sobre o sertão, que não é um lugar físico, que é um lugar ao mesmo tempo universal e particular: “sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar. (...) Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos (...) Sertão é o sozinho. (...) Sertão: é dentro da gente. (...) sertão é sem lugar”

Em outro trecho o narrador fala sobre a dificuldade da narrativa, de um tipo de narrativa pessoal que é a que estamos utilizando no nosso processo: “Contar é muito dificultoso. Não pelos anos que se já passaram. Mas pela astúcia que tem certas coisas passadas - de fazer balancê, de se remexerem dos lugares.”

É um livro que fala sobre fé e amor: “Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa de existir para haver.” e “(...) amor só mente para dizer maior verdade. (...) quem ama é sempre muito escravo, mas não obedece nunca de verdade.” Fala sobre lembrança e infância: “eu, que o senhor já viu que tenho retentiva que não falta, recordo tudo da minha meninice. Boa, foi. Me lembro dela com agrado; mas sem saudade. Porque logo sufusa uma aragem dos acasos. Para trás, não há paz.”

O Grande Sertão: Veredas termina com a palavra “Travessia”, seguida pelo signo do infinito. Nada mais coerente para o nosso trabalho, para o que estamos buscando. Nada mais físico e espiritual do que essa palavra, que contem em si a experiência humana, o que foi, o que é e o que será.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Construção da Dramaturgia

                                                                 
     

 Depois de todas escreverem seus textos, juntamos todos para 

criar a dramaturgia.

Mãos a obra.... e como um quebra-cabeça, 

foi tomando forma.

Forma? Talvez corpo...






















"...mãe diz que o fogo purifica o corpo e alma..."

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Treinos

Depois de várias experimentações realizadas com exercícios narrativos optamos em realizar este espetáculo também com as histórias pessoais trazidas nos ensaios pelas próprias atrizes.
Estamos colocando em prática os exercícios meditativos para alcançar um estado de atenção facilitando a conexão entre corpo, espaço e tempo...
Cada atriz busca sua solidão, seu silêncio, sua luz, sua escuridão...



   Larissa Matos, Maruca Franco e Kaliupe Sachet

domingo, 2 de outubro de 2011

Resumo do conto O Mártir de Ryunosuke Akutaga

Em Nagasaki no Japão, havia um jovem garoto chamado Lorenzo, chegou na cidade prostato de frio e fome e foi acolhido pelo senhor do templo. Era um mistério para todos da cidade, cada vez que perguntava de sua origem, ele dizia que sua terra era o paraíso e seu pai era Deus. Por sua dedicação ao templo e sua espiritualidade, se tornou querido por todos, principalmente para seu amigo Simeão, que o tratava como seu irmão mais velho. Quando eram vistos juntos tinha-se a impressão de uma águia selvagem ligada pela amizade a uma pombinha ou de uma videira selvagem em flor que se enrolava em torno dos cipestres do Monte Líbano.
Três anos se passaram, Lorenzo daria início a sua preparação para a fase adulta, quando espalhou um boato que ele se encontrava com Saiury, a filha do comerciante de guarda- chuvas. Saiury e seu pai freqüentavam o templo e os olhos da moça mesmo entre as preces não se desviavam de Lorenzo e essa atitude não passava despercebida pelas pessoas.
Os rumores aumentavam, até espalharam que eles estavam trocando cartas de amor. Então o senhor do templo interrogou Lorenzo sobre o assunto, assim como Simeão e Lorenzo sem saber muito bem como agir, disse que realmente parecia que a moça estava enamorada por ele.
Mais tarde uma noticia fez com que Lorenzo fosse expulso da cidade. Saiury esperava um filho. Lorenzo percorreu uma jornada de dor e sofrimento andarilhando.
Algum tempo se passou, a filha de Saiury nasceu. Então em uma noite um incêndio tomou conta da cidade, a casa do comerciante de guarda chuvas foi a primeira a ser atingida, quando a família de Sayuri saiu da casa, deram conta que a bebê tinha ficado lá dentro, o desespero tomou conta. Quando de repente surge Lorenzo, sem exitar se lançou ao fogo para salvar a pequena criança. Diziam que o instinto de pai falou mais alto, quando Saiury tomou sua filha nos braços, confessou que Lorenzo não era o pai, mas sim um vizinho com quem tinha se relacionado há algum tempo. Ao cair Lorenzo revela um segredo, um imaculado seio surge entre as cinzas de sua veste queimada.

O Processo

O  Katana teve inicio no primeiro semestre de 2011, como projeto de TCC do curso de Bacharelado em Artes Cênicas da Faculdade de Artes do Paraná. Somos Quatro atrizes criadoras e um diretora. 
Vamos trabalhar com narrativas, relembrando nosso quintal da infância, tendo como pano de fundo o Conto  
 O Mártir de Ryunosuke Akutaga.