domingo, 18 de dezembro de 2011
Futuro
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
A Estréia
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Esse questionamento não é meu somente, nem seu, não é de hoje e não vai se findar amanhã... Talvez a importancia não esteja nas respostas, mas nas perguntas e o que elas modificam na gente, na nossa percepção e na forma como vivemos os nossos dias.
A vida pode não ser feita de perguntas e respostas, mas é importante olhar de vez em quando para os lados e para dentro... nem que a pergunta não seja formulada.
Como escreveu Guimarães Rosa, em vários momentos do livro Grande Sertão : Veredas: "Viver é muito perigoso". Ele ainda coloca em outro trecho: "Cada dia é um dia. O real da vida não está na saída e nem na chegada, ele se dispõe para a gente no meio da travessia."
ÍTACA - Konstantinos Kaváfis
(tradução José Paulo Paes)
Se partires um dia rumo a Ítaca,
faz votos de que o caminho seja longo,
repleto de aventuras, repleto de saber.
Nem Lestrigões nem os Ciclopes
nem o colérico Posídon te intimidem;
eles no teu caminho jamais encontrarás
se altivo for teu pensamento, se sutil
emoção teu corpo e teu espírito tocar.
Nem Lestrigões nem os Ciclopes
nem o bravio Posídon hás de ver,
se tu mesmo não os levares dentro da alma,
se tua alma não os puser diante de ti.
Faz votos de que o caminho seja longo.
Numerosas serão as manhãs de verão
nas quais, com que prazer, com que alegria,
tu hás de entrar pela primeira vez um porto
para correr as lojas dos fenícios
e belas mercancias adquirir:
madrepérolas, corais, âmbares, ébanos,
e perfumes sensuais de toda espécie,
quando houver de aromas deleitosos.
A muitas cidades do Egito peregrina
para aprender, para aprender dos doutos.
Tem todo o tempo Ítaca na mente.
Estás predestinado a ali chegar.
Mas não apresses a viagem nunca.
Melhor muitos anos levares de jornada
e fundeares na ilha velho enfim,
rico de quanto ganhaste no caminho,
sem esperar riquezas que Ítaca te desse.
Uma bela viagem deu-te Ítaca.
Sem ela não te ponhas a caminho.
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.
Ítaca não te iludiu, se a achas pobre.
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência,
e agora sabes o que significam Ítacas.
ESTRÉIA
KATANA
Ensaio de 01/12
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
A Narrativa
Foto: Diretora: Diana Sitonio
Atriz: Natália Drulla
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Como é que se conta uma vida: uma vida vivida, a vivência diária, o que se espera da vida? Como não se deixar comover e envolver por aquilo que poderia ter sido, com o floreio que o tempo coloca nos fatos, nas faltas maquiadas em detalhes esquecidos ou sem importância?
"O senhor escute meu coração, pegue no meu pulso. O senhor avista meus cabelos brancos... Viver – não é? – é muito perigoso. Porque ainda não se sabe. Porque aprender-a-viver é que é o viver, mesmo. O sertão me produz, depois me enguliu, depois me cuspiu do quente da boca... O senhor crê minha narração?"
(...)
"Como vou contar, e o senhor sentir em meu estado? O senhor sobrenasceu lá? O senhor mordeu aquilo? O senhor conheceu Diadorim, meu senhor?!... Ah, o senhor pensa que a morte é choro e sofisma – terra funda e ossos quietos... O senhor havia de conceber alguém aurorear de todo amor e morrer como só para um. O senhor devia de ver homens a mão-tente se matando a crer, com balas raivas! Ou a arte de um : ta-tá, tiro – e o outro vir na fumaça, de à-faca, de repelo: quando o que já defunto era quem mais matava... O senhor... Me dê um silêncio. Eu vou contar."
Obrigada!!
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
O trabalho sonoro é uma das bases da nossa pesquisa - respiração, sons, melodias, ritmos e apropriação de músicas - para a construção das cenas, dos estados e dos impulsos. Músicas que nos inspiram, sons que nos levam a outros lugares, silêncios repletos de perguntas e algumas respostas... Como o vento que move os galhos das árvores, assim os sons movem o nosso espírito...
Longe
(Arnaldo Antunes / Marcelo Jeneci - Voz Laura Lavieri)
Não dá mais pra voltar, porque eu fiquei tão longe, longe...
Onde é esse lugar?
Aonde está você?
(...)
E entre quatro paredes, sem porta ou janela pro tempo passar
Dizem que a vida é assim
Cinco sentidos em mim
Dentro de um corpo fechado num vácuo de um quarto, espaço sem fim
Aonde está você?
Por que que você foi?
Não quero te esquecer
Mas já fiquei tão longe, longe...
Não dá mais pra voltar e eu nem me despedi
Aonde é que eu vim parar?
Por que eu fiquei tão longe, longe, longe...
Longe, longe, longe..."
domingo, 20 de novembro de 2011

Fazendo ponte com o conto do Mártir, estamos usando o romance Grande Sertão: Veredas do autor brasileiro Guimarães Rosa. Quem conta a história é Riobaldo, primeira pessoa, numa narrativa não linear em um discurso a um interlocutor que nunca aparece, nunca mostra a sua voz.
Além dos temas tratados no livro fazerem paralelo com o que estamos pesquisando na peça, ele é, como disse a nossa diretora, o mártir ao contrário: há a questão de pseudônimos, de amores impossíveis, mas mais do que irmãos de fé, Riobaldo e Diadorim são amigos de armas: “De que jeito eu podia amar um homem, meu de natureza igual, macho em suas roupas e suas armas, espalhado rústico em suas ações?! Me franzi. Ele tinha a culpa? Eu tinha a culpa. (...) O sertão não tem janelas nem portas.”
Além disso, O Grande Sertão: Veredas é um livro que fala sobre o sertão, que não é um lugar físico, que é um lugar ao mesmo tempo universal e particular: “sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar. (...) Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos (...) Sertão é o sozinho. (...) Sertão: é dentro da gente. (...) sertão é sem lugar”
Em outro trecho o narrador fala sobre a dificuldade da narrativa, de um tipo de narrativa pessoal que é a que estamos utilizando no nosso processo: “Contar é muito dificultoso. Não pelos anos que se já passaram. Mas pela astúcia que tem certas coisas passadas - de fazer balancê, de se remexerem dos lugares.”
É um livro que fala sobre fé e amor: “Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa de existir para haver.” e “(...) amor só mente para dizer maior verdade. (...) quem ama é sempre muito escravo, mas não obedece nunca de verdade.” Fala sobre lembrança e infância: “eu, que o senhor já viu que tenho retentiva que não falta, recordo tudo da minha meninice. Boa, foi. Me lembro dela com agrado; mas sem saudade. Porque logo sufusa uma aragem dos acasos. Para trás, não há paz.”
O Grande Sertão: Veredas termina com a palavra “Travessia”, seguida pelo signo do infinito. Nada mais coerente para o nosso trabalho, para o que estamos buscando. Nada mais físico e espiritual do que essa palavra, que contem em si a experiência humana, o que foi, o que é e o que será.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Construção da Dramaturgia
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Treinos
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Larissa Matos, Maruca Franco e Kaliupe Sachet |










