segunda-feira, 28 de novembro de 2011


GRANDE SERTÃO : VEREDAS

João Guimarães Rosa

Como é que se conta uma vida: uma vida vivida, a vivência diária, o que se espera da vida? Como não se deixar comover e envolver por aquilo que poderia ter sido, com o floreio que o tempo coloca nos fatos, nas faltas maquiadas em detalhes esquecidos ou sem importância?


........TRECHOS .......

"Falo por palavras tortas. Conto minha vida, que não entendi. O senhor é homem muito ladino, de instruída sensatez. Mas não se avexe, não queira chuva em mês de agosto. Já conto, já venho – falar no assunto que o senhor está de mim esperando. E escute."

(...)

"O senhor escute meu coração, pegue no meu pulso. O senhor avista meus cabelos brancos... Viver – não é? – é muito perigoso. Porque ainda não se sabe. Porque aprender-a-viver é que é o viver, mesmo. O sertão me produz, depois me enguliu, depois me cuspiu do quente da boca... O senhor crê minha narração?"

(...)

"Como vou contar, e o senhor sentir em meu estado? O senhor sobrenasceu lá? O senhor mordeu aquilo? O senhor conheceu Diadorim, meu senhor?!... Ah, o senhor pensa que a morte é choro e sofisma – terra funda e ossos quietos... O senhor havia de conceber alguém aurorear de todo amor e morrer como só para um. O senhor devia de ver homens a mão-tente se matando a crer, com balas raivas! Ou a arte de um : ta-tá, tiro – e o outro vir na fumaça, de à-faca, de repelo: quando o que já defunto era quem mais matava... O senhor... Me dê um silêncio. Eu vou contar."



Obrigada!!



quinta-feira, 24 de novembro de 2011

MUSICALIDADE


O trabalho sonoro é uma das bases da nossa pesquisa - respiração, sons, melodias, ritmos e apropriação de músicas - para a construção das cenas, dos estados e dos impulsos. Músicas que nos inspiram, sons que nos levam a outros lugares, silêncios repletos de perguntas e algumas respostas... Como o vento que move os galhos das árvores, assim os sons movem o nosso espírito...


Longe

(Arnaldo Antunes / Marcelo Jeneci - Voz Laura Lavieri)


"Onde que eu fui parar, aonde é esse aqui?
Não dá mais pra voltar, porque eu fiquei tão longe, longe...
Onde é esse lugar?
Aonde está você?
(...)
E entre quatro paredes, sem porta ou janela pro tempo passar
Dizem que a vida é assim
Cinco sentidos em mim
Dentro de um corpo fechado num vácuo de um quarto, espaço sem fim
Aonde está você?
Por que que você foi?
Não quero te esquecer
Mas já fiquei tão longe, longe...
Não dá mais pra voltar e eu nem me despedi
Aonde é que eu vim parar?
Por que eu fiquei tão longe, longe, longe...

Longe, longe, longe..."



domingo, 20 de novembro de 2011



GRANDE SERTÃO : VEREDAS
JOÃO GUIMARÃES ROSA

Fazendo ponte com o conto do Mártir, estamos usando o romance Grande Sertão: Veredas do autor brasileiro Guimarães Rosa. Quem conta a história é Riobaldo, primeira pessoa, numa narrativa não linear em um discurso a um interlocutor que nunca aparece, nunca mostra a sua voz.

Além dos temas tratados no livro fazerem paralelo com o que estamos pesquisando na peça, ele é, como disse a nossa diretora, o mártir ao contrário: há a questão de pseudônimos, de amores impossíveis, mas mais do que irmãos de fé, Riobaldo e Diadorim são amigos de armas: “De que jeito eu podia amar um homem, meu de natureza igual, macho em suas roupas e suas armas, espalhado rústico em suas ações?! Me franzi. Ele tinha a culpa? Eu tinha a culpa. (...) O sertão não tem janelas nem portas.”

Além disso, O Grande Sertão: Veredas é um livro que fala sobre o sertão, que não é um lugar físico, que é um lugar ao mesmo tempo universal e particular: “sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar. (...) Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos (...) Sertão é o sozinho. (...) Sertão: é dentro da gente. (...) sertão é sem lugar”

Em outro trecho o narrador fala sobre a dificuldade da narrativa, de um tipo de narrativa pessoal que é a que estamos utilizando no nosso processo: “Contar é muito dificultoso. Não pelos anos que se já passaram. Mas pela astúcia que tem certas coisas passadas - de fazer balancê, de se remexerem dos lugares.”

É um livro que fala sobre fé e amor: “Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa de existir para haver.” e “(...) amor só mente para dizer maior verdade. (...) quem ama é sempre muito escravo, mas não obedece nunca de verdade.” Fala sobre lembrança e infância: “eu, que o senhor já viu que tenho retentiva que não falta, recordo tudo da minha meninice. Boa, foi. Me lembro dela com agrado; mas sem saudade. Porque logo sufusa uma aragem dos acasos. Para trás, não há paz.”

O Grande Sertão: Veredas termina com a palavra “Travessia”, seguida pelo signo do infinito. Nada mais coerente para o nosso trabalho, para o que estamos buscando. Nada mais físico e espiritual do que essa palavra, que contem em si a experiência humana, o que foi, o que é e o que será.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Construção da Dramaturgia

                                                                 
     

 Depois de todas escreverem seus textos, juntamos todos para 

criar a dramaturgia.

Mãos a obra.... e como um quebra-cabeça, 

foi tomando forma.

Forma? Talvez corpo...






















"...mãe diz que o fogo purifica o corpo e alma..."