sexta-feira, 13 de abril de 2012


TRAVESSIAS POÉTICAS E LITERÁRIAS II



Quando estamos em um processo de pesquisa é natural que façamos uma relação entre as coisas que lemos, vemos, ouvimos e sentimos com essa pesquisa. Isso não acontece só com o material que buscamos para a cena, mas com tudo a nossa volta. Ainda mais com a pesquisa do Katana, que é tão sobre o eu interior e que, ao mesmo tempo, é tão sobre o outro; é sobre nós.
Ao ler o livro A arte Cavalheiresca do arqueiro Zen (Eugen Herrige), quando ele fala do arqueiro, não pude deixar de pensar no artista, até mesmo porque o próprio autor faz o link, na arte do artista e na arte de ser humano.

Segue alguns trechos para apreciação:

"A meta do arqueiro não é apenas atingir o alvo; a espada não e empunhada para derrotar o adversário; o dançarino não dança unicamente com a finalidade de executar movimentos harmoniosos. O que eles pretendem, antes de tudo, é harmonizar o conciente com o inconsciente. (...) Para se tornar um autêntico arqueiro, o domínio técnico é insuficiente. É necessário transcendê-lo, de tal maneira que ele se converta numa arte sem arte, emanada do inconsciente."
(introdução por Diasetz T, Suzuki)

"(...) Devemos reconquistar a ingenuidade infantil, através de muitos anos de exercício na arte de nos esquecermos de nós próprios. Nesse estágio, o homem pensa sem pensar. Ele pensa como a chuva que cai do céu, como as ondas que se alteiam sobre os oceanos, como as estrelas que iluminam o céu noturno, como o verde da folhagem que brota na paz do frescor primaveril. Na verdade, ele é as ondas, o oceano, as estrelas, as folhas."

"Ele insiste em manter esse ritual tradicional porque sabe que os preparativos têm a virtude de sintonizá-lo com a sua criação artística. À serena tranquilidade com que os executa deve o relaxamento decisivo, o equilibrio de todas as suas energias e a concentração, sem os quais nenhuma obra autêntica se realiza. Absorto na sua ação, livre de intenção, é conduzido até o momento em que a obra, atingidas suas formas ideais, completa-se quase que por si mesma."

"Atraves de longos anos dedicados à meditação ele descobriu que, no fundo, a vida e a morte são uma única coisa, e que ambas pertencem ao mesmo plano do destino."

Obrigada!!

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